sábado, 20 de maio de 2017

A noite não vem só


A noite não vem só...

Esperança de um dia melhor; dorme,
É conforme o seu tempo e tão tranquilo,
Aniquilo o mau. Meu sentir tão enorme,
É uniforme o vento e canta o grilo.

O sigilo na mente que voeja.
Viceja uma vontade do teu toque,
Sem retoque, que nada me proteja.
E boceja os meus beijos em estoque.

Enfoque nos teus olhos, tua mão.
Meu vão se lança à tua entrelinha,
Aninha-me no teu corpo, emoção!

É sensação que dança; desalinha,
Sozinha não, comigo a reflexão.
Excitação por dentro que sublinha.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Riso d’alma


Riso d’alma

E quão belo é seu riso?_não sei!
Fitei-o, um sol se acendeu só para mim.
Assim, meio impactada me encontrei,
descansei minha alma, era querubim.


Carmim é um impulso que submete,
É vedete a paixão; e se pôs em dança,
Balança-me absoluto, qual valete.
Confete de corações e criança.

Nuança de sentires e são tantos...
São encantos que nos meus poros retinem,
Definem-se tão bons, que sinto espantos.

E quantos risos pelo seu?_ Imaginem!
E nem eu sei; uns lascivos, outros santos,
Cantos de boca se abrem, imos se unem.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Liberdade que prende

Liberdade que prende

É, tende a ser gostoso o alforriado,
E dado com vontades, integral,
Sem plural, sem composto. Predicado,
Conjugado sem aspas, não verbal.

Aval com reticências, e sem pontos,
É sem pespontos, crase e sem colchete,
Brete de ócio, vírgula se tontos,
Os dois pontos falam tête à tête.

Bilhete do sujeito: coração,
Conjugação do tempo é presente,
A mente não argui. Bravo, interjeição!

Interpretação clara e convincente,
Recorrente e sem interrogação,
Aprovação, de nada dependente.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Relatos sobre ela


Relatos sobre ela

O sol acorda; tão azul é o céu,
O véu da aurora cai; se descortina,
E na retina anil, mais um pincel,
No hotel estrelas; ela tão menina.

Esquina em flor, n’alma borboletas,
Letras e poesia, imo desnudo,
O veludo da essência brota em gretas,
Com gavetas sem trinco, amor escudo.

O miúdo é grande, afago ostenta,
E lamenta outrem não ver dessa forma,
Transforma numa paz, por dentro venta,

Tenta não se atingir, cria uma norma,
Reforma; vez ou outra ela se reinventa,
Requenta versos, é feliz: informa!


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Soneto roceiro

Soneto roceiro

São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo

sábado, 6 de maio de 2017

O amor

O amor...

Sabe-se que não tem como aclarar,
Amar é algo muito além de tudo.
Estudo nenhum pode confirmar,
E verbalizar não beira, contudo.

Escudo de palavras, assim usa,
Abusa o poeta, em sua acepção,
O coração remove da reclusa,
Efusa o sentir e a sensação.

É em vão, o escrito não é o sentido,
Transmitido em folha, letras apenas,
Amenas demais para algo fervido.

Iludido sentir, versos e penas,
Pequenas provas de algo desmedido
Fingido escrito, qual voar de renas.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo

Uberlândia MG



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Fogo


Fogo

Destempero; calor que não esquece,
Aquece a alma num corpo tão febril,
Abriu estufa que nunca se arrefece,
Parece chispa em pólvora e barril.

É pueril e insano esse desejo,
Lampejo que acalora em arrepio,
Um desbrio que chega qual despejo,
Um festejo de carne em rodopio.

Se vadio não sei, mas sei que queima,
E teima duelar, em mim combustões,
Sensações com ardência e tanta freima.

Requeima dentro afora em ebulições,
Volições; desafio em tira-teima,
Qual guloseima; além-fogo de Camões.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 

domingo, 30 de abril de 2017

Laços de nós

Laços de nós

Já temos um passado; é só nosso,
E posso garantir pura magia,
Poesia que todo instante endosso,
Esboço-me de sol e ventania.

Alforria de mim, meu eu desnudado,
Doado ao seu eu, tão livre e descalço,
Realço-me com cerne florejado,
É sonhado presente, num voo alço.

E calço-me de anseios com verdade,
Em singularidade, ora plural,
Carnal e alma total insanidade.

Idade não tem; corre natural,
Surreal; somos dois numa unidade,
Umidade em sintoma visceral.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Anotações

Anotações

... E ela chegou ao mundo, numa madrugada qualquer, era agosto e fazia frio, nua e sem GPS, encarou o desconhecido, cresceu, mais intelectualmente do que fisicamente e nem por isso deixou de ser forte, evolui para caramba, até tirou algumas notas 10. 
Detesta padrões que na verdade são tentativas de domesticações, enxerga com a alma, admitem os medos, a sinceridade nos sentimentos tem peso maior.
Decidiu ser quem é. Os caminhos não foram fáceis, inda assim aprendeu a parar e enxergar as flores que neles existem, e aprendeu mais ainda, a enxergar os besourinhos que nelas passeiam.

Raquel Ordones

domingo, 23 de abril de 2017

Nossa música

Nossa música

Suaves, notas nascem meio lentas,
Atentas no sentir e nada graves,
Chaves de nós acendem tão sedentas,
Barulhentas loucuras em conclaves.

Aves de almas com voos e de ninhos,
Desalinhos na letra, ordem de rimas,
Climas se misturam em burburinhos,
Moinhos de nossas lufas e tão íntimas.

Vítimas de voz, livres em viagens,
Aragens que afrescam afinação,
Confissão musicada, tatuagens.

São miragens de sonho, essa canção,
Composição do Rei em altas voltagens,
Filmagens: eu e você; tanta emoção...

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 

domingo, 16 de abril de 2017

Fé, dor

Fé, dor

A fé nos move._ Qual é o caminho?
Desalinho no passo da ganância,
Ignorância nos fere qual espinho,
Redemoinho na mesa em abundância.

Importância nenhuma tem o ser,
O ter anda gritando bem mais alto,
É assalto sem almas, a entender,
Prender é impossível, do ato um salto.

Pauto no verso, falta do respeito,
O sujeito faz uma lei e a transgride,
Agride e rasga; pesa todo peito.

Tem jeito? Tudo vem à tona, incide,
Se revide apontado pelo feito,
Leito em vida, fé, dor, o imo divide.

 ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

sexta-feira, 14 de abril de 2017

...

Existia em mim, velocidade,
Nos carros de tuas anotações
desbarranquei-me em tua grafia...

ღRaquel Ordonesღ

Nosso mundo

Nosso mundo

Criou-se, mas foi assim tão de repente,
É que a gente não sabe: por que flores?
As cores aquarelam bem à frente,
Na lente da tez se corre ardores.

Motores de nós é essa vontade.
Sem igualdade no dentro transborda,
Acorda um sol de raio em liberdade,
A saudade que em tudo concorda.

Recorda um amanhã, não o passado,
Calado de um segredo que é nosso,
Endosso-me, meu ser doa aprovado.

Estrelado céu, sua boca almoço,
Posso até parecer-me um ser alado,
Ao seu lado, nosso mundo; alvoroço.

Raquel Ordones #ordonismo

domingo, 9 de abril de 2017

Na cidade de mim


Na cidade de mim

Entrou, vindo de suas rodovias,
Cotovias e ventos, rapidez,
E lucidez perdeu nas poesias,
Frenesia; se via em nitidez.

Talvez fosse melhor o acostamento,
O sentimento jamais tolerou,
Acelerou voando em pavimento,
Momento exato em que me atropelou.

Cantou pneus em minhas avenidas,
Exibidas freadas pelas ruas,
Suas canções, calçadas florescidas.

As fidas buzinadas, meias luas,
Duas em uma, choque sem feridas,
Detidas, alma na alma, agora nuas.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Poesia Impulsiva

Poesia impulsiva

Arrebata, chega e sai pelos dedos,
E medos não têm, nem de ser ridícula,
Película, almas e tantos segredos,
Enredos vários, curvas e retícula.

Cutícula rasura; imo profundo,
Mundo de flor, espinhos mil, avulsos,
São impulsos do dentro e oriundo,
Vagabundo sentir; sentir nos pulsos.

Convulsos pensamentos em anseios,
É sem freios, isentos da vergonha,
E sonha com absurdos devaneios.

Em recreios, lençóis, mitos e fronha,
Risonha feição, choros e entremeios,
Passeios loucos em pua de cegonha.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Poema corp(o)ral

Poema corp(O)ral

Rodapé, cabeçalho, pés, cabelos,
Os novelos em cachos; passos, fé,
Pontapé no descuido, apenas zelos,
Desvelos, olor, meias e chalé.

Café desperta, mente é sadia,
Poesia a se jogar sem corrimão,
Na mão força, no verbo bruxaria,
Sinestesia no cheiro da visão.

Ação no corpo rege; é desejo,
É lampejo lascivo; funde a cuca,
Maluca sensação que pede beijo.

Sobejos arrepios vindos da nuca,
Muvuca, na pele marca o ensejo,
Gracejo de menina, ora caduca.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O primeiro "eu te amo"


O primeiro “eu te amo”

É absoluto, tira o pé do chão,
A sensação é de voo, infinito,
Um negrito neon; é um clarão,
Emoção destroçando em um agito.

Delito aceito; é sublimação,
É satisfação d’alma, é mitigo,
É abrigo suspenso, devoção,
Sem fração! _ Irrestrito digo!

É um ‘instigo’ tão sem precedente,
É mente que tropeça num olhar,
Um roubar de palavras inocente,

Lente de essência; é cerne a falar,
Admirar pelo dentro e pela frente,
Tão quente, coração e carne: amar.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 05/04/2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Outonamos

Outonamos

As tardes nos abordam mais afáveis,
Amigáveis manhãs, um tanto frias,
Regalias em nós, coisas memoráveis,
Infindáveis são nossas poesias.

Há euforias nas noites, brilho em nós,
E pós se vão, tal qual folhas ao vento,
Lamento nenhum; tom baixo da voz,
Sós, notívagos, brasa, sentimento.

Momento singular cabe na gente,
Na mente e mundo nada desvirtua,
Crua língua, dizer inconsequente.

Em vertente estação abre flor nua,
Flutua seu querer, minha escorrência,
Em ardência outonamos pela rua...


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Era outra vez...


Era outra vez...

Tinha uma formiguinha na parede,
Sua rede estendeu; olhando a pia,
Ria às vezes, tinha fome e sede,
Vede, andava distante, mas sem guia.

Fugia muitas vezes, queria estar só,
Cipó na cortina fazia aventura,
 Rapadura roía; deixa em pó,
Nó no saco de açúcar, que doçura!

Loucura era viver naquele espaço,
Pedaço pequeno caiu lhe a ficha,
Em rixa antiga, sem nenhum abraço.

Descompasso diário, vida micha,
A bicha olhuda atenta no seu passo,
 Baço à vista, a branca lagartixa.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 

domingo, 2 de abril de 2017

Viaje para mim


Viaje para mim

E transponha as distâncias, os receios,
Os anseios à frente, dome estrada,
Dê a largada, tire os pés dos freios,
Devaneios, urgente à chegada.

Na calada da noite então embarque,
Abarque na vontade junta a minha,
Desalinha sua alma no meu parque,
Desembarque-se na minha entrelinha.

Aninha em mim igual uma criança,
E dança no meu ser, em meu chuvisco,
Arrisco, invento-me na sua andança.

Trança seus eus aos meus em um rabisco,
Hibisco de beleza em mim avança,
Lança-me, apeie e seja-me belisco.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Entrelinhávamos

Entrelinhávamos

Entreabristes minhas entrelinhas,
Aninhas ali, por agora moras,
Ignoras o orbe lá fora, caminhas,
Nas vinhas de mim e não te apavoras.

Demoras no meu dentro; fez-te casas,
Com asas voeja meu íntimo; o toma,
Soma-me em arco-íris, em cor vazas,
Atrasas o tempo, em versos me doma.

Coma; masques desejos, lambas tez,
Outra vez e mais quanta der vontade,
Metade vezes dois da nudez,

Talvez me vasculhes por liberdade,
Intimidade eu te dei: uma, duas, três,
 Insensatez; tu e eu, vísceras, verdade.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 29/03/2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Das tempestades de nós

Das tempestades de nós

Ardência em vento que esvoaça folhas,
Escolhas nulas; gruta de impotência,
Escorrência na tez e almas pimpolhas,
Bolhas colidem em fixa demência.

Influência sã, força irrestrita,
É negrita a faísca em letra avulsa,
Pulsa num raio à menor escrita,
Cita cúmulo-nimbo que convulsa.

Expulsa o pó, pretérito se parte,
Arte presente de nós um dilúvio,
Anuvio volição, voar em marte.

Aparte o mundo, no dentro Vesúvio,
Plúvio e trovões, Zeus em mim encarte,
Em comparte: nós em nosso eflúvio.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

sexta-feira, 24 de março de 2017

Esvazia desejo; alma vazia

Esvazia desejo; alma vazia

E do corpo germina um sobressalto,
No alto a flor da pele num arrepio,
Um frio, um quente; às vezes eu me falto,
Pauto, o meu desgoverno é vadio.

Um sadio sentir de um querer insano,
Pano que se desveste, cai cortina,
Libertina alma, poros oceano,
Profano abalo, num rir de retina.

Rotina adeus, na tez a latência,
Essência; golfa aroma e é notável,
É amável e estúpida a carência.

A demência sem nexo, ora palpável,
Consolável a carne varre ardência,
Prepotência, a alma não é masturbável.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

"Posso ir "

“Posso ir”

A minha alma tem gotas e tem mares,
Pomares, flores, pássaros e frutos,
Brutos, suaves, leveza de pensares,
Tem ares pueris, sábios, matutos.

Cultos e confissões, orar diário,
Armário, porta aberta, guloseima,
E teima em dizer sim ao imaginário,
No calendário um ontem que inda queima.

Freima o vento, quintais, caus e barulho,
Embrulho saudade em carrosséis,
Papéis, girassol, peixes e mergulho.

Pedregulho no chão, luz e bordéis,
Anéis látex, relíquias de orgulho,
Vasculho estrelas quando sou hotéis.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 24/03/2017

sábado, 18 de março de 2017

Meu diário

Meu diário

Hoje o dia despertou emburrado,
Nublado, o sol não quis sair da cama,
E fez drama; o bonito foi ofuscado,
Camuflado, nem tirou o seu pijama.

A lama jazer, pois o calor dorme,
Meu uniforme não secou no varal,
O meu jornal se molhou; sem informe,
E conforme estação não é normal.

Portal encharcou, tem uma neblina,
Na esquina um café, mas está vazio,
Frio corre solto a ferir a retina.

Menina nem respira em arrepio,
No fio, pio e pardal sem adrenalina,
Matina glacial, mas o sol nem viu!


Raquel Ordones #ordonismo

Uberlândia MG 

Sabor de saudade

Sabor de saudade

Era manhã, me cozi em saudade,
Claridade do dia se fez fervura,
À altura içou fumaça em liberdade,
Afinidade sua, e sem brandura.

Fritura, o pensamento no seu cheiro,
Tempero de um passado, mas presente,
Quente em sabor, açúcar e saleiro,
Talheiro prata, anseio reluzente.

Ardente em carne, na alma um alecrim,
Talharim de delícia, cena ardida,
Na medida e no ponto, gosto assim.

Estopim de nós, fervor, eu servida,
Sorvida por essa lembrança, enfim,
Em mim ceia de nostalgia bandida.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG