segunda-feira, 24 de abril de 2017

Anotações

Anotações

... E ela chegou ao mundo, numa madrugada qualquer, era agosto e fazia frio, nua e sem GPS, encarou o desconhecido, cresceu, mais intelectualmente do que fisicamente e nem por isso deixou de ser forte, evolui para caramba, até tirou algumas notas 10. 
Detesta padrões que na verdade são tentativas de domesticações, enxerga com a alma, admitem os medos, a sinceridade nos sentimentos tem peso maior.
Decidiu ser quem é. Os caminhos não foram fáceis, inda assim aprendeu a parar e enxergar as flores que neles existem, e aprendeu mais ainda, a enxergar os besourinhos que nelas passeiam.

Raquel Ordones

domingo, 23 de abril de 2017

Nossa música

Nossa música

Suaves, notas nascem meio lentas,
Atentas no sentir e nada graves,
Chaves de nós acendem tão sedentas,
Barulhentas loucuras em conclaves.

Aves de almas com voos e de ninhos,
Desalinhos na letra, ordem de rimas,
Climas se misturam em burburinhos,
Moinhos de nossas lufas e tão íntimas.

Vítimas de voz, livres em viagens,
Aragens que afrescam afinação,
Confissão musicada, tatuagens.

São miragens de sonho, essa canção,
Composição do Rei em altas voltagens,
Filmagens: eu e você; tanta emoção...

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 

domingo, 16 de abril de 2017

Fé, dor

Fé, dor

A fé nos move._ Qual é o caminho?
Desalinho no passo da ganância,
Ignorância nos fere qual espinho,
Redemoinho na mesa em abundância.

Importância nenhuma tem o ser,
O ter anda gritando bem mais alto,
É assalto sem almas, a entender,
Prender é impossível, do ato um salto.

Pauto no verso, falta do respeito,
O sujeito faz uma lei e a transgride,
Agride e rasga; pesa todo peito.

Tem jeito? Tudo vem à tona, incide,
Se revide apontado pelo feito,
Leito em vida, fé, dor, o imo divide.

 ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

sexta-feira, 14 de abril de 2017

...

Existia em mim, velocidade,
Nos carros de tuas anotações
desbarranquei-me em tua grafia...

ღRaquel Ordonesღ

Nosso mundo

Nosso mundo

Criou-se, mas foi assim tão de repente,
É que a gente não sabe: por que flores?
As cores aquarelam bem à frente,
Na lente da tez se corre ardores.

Motores de nós é essa vontade.
Sem igualdade no dentro transborda,
Acorda um sol de raio em liberdade,
A saudade que em tudo concorda.

Recorda um amanhã, não o passado,
Calado de um segredo que é nosso,
Endosso-me, meu ser doa aprovado.

Estrelado céu, sua boca almoço,
Posso até parecer-me um ser alado,
Ao seu lado, nosso mundo; alvoroço.

Raquel Ordones #ordonismo

domingo, 9 de abril de 2017

Na cidade de mim


Na cidade de mim

Entrou, vindo de suas rodovias,
Cotovias e ventos, rapidez,
E lucidez perdeu nas poesias,
Frenesia; se via em nitidez.

Talvez fosse melhor o acostamento,
O sentimento jamais tolerou,
Acelerou voando em pavimento,
Momento exato em que me atropelou.

Cantou pneus em minhas avenidas,
Exibidas freadas pelas ruas,
Suas canções, calçadas florescidas.

As fidas buzinadas, meias luas,
Duas em uma, choque sem feridas,
Detidas, alma na alma, agora nuas.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Poesia Impulsiva

Poesia impulsiva

Arrebata, chega e sai pelos dedos,
E medos não têm, nem de ser ridícula,
Película, almas e tantos segredos,
Enredos vários, curvas e retícula.

Cutícula rasura; imo profundo,
Mundo de flor, espinhos mil, avulsos,
São impulsos do dentro e oriundo,
Vagabundo sentir; sentir nos pulsos.

Convulsos pensamentos em anseios,
É sem freios, isentos da vergonha,
E sonha com absurdos devaneios.

Em recreios, lençóis, mitos e fronha,
Risonha feição, choros e entremeios,
Passeios loucos em pua de cegonha.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Poema corp(o)ral

Poema corp(O)ral

Rodapé, cabeçalho, pés, cabelos,
Os novelos em cachos; passos, fé,
Pontapé no descuido, apenas zelos,
Desvelos, olor, meias e chalé.

Café desperta, mente é sadia,
Poesia a se jogar sem corrimão,
Na mão força, no verbo bruxaria,
Sinestesia no cheiro da visão.

Ação no corpo rege; é desejo,
É lampejo lascivo; funde a cuca,
Maluca sensação que pede beijo.

Sobejos arrepios vindos da nuca,
Muvuca, na pele marca o ensejo,
Gracejo de menina, ora caduca.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O primeiro "eu te amo"


O primeiro “eu te amo”

É absoluto, tira o pé do chão,
A sensação é de voo, infinito,
Um negrito neon; é um clarão,
Emoção destroçando em um agito.

Delito aceito; é sublimação,
É satisfação d’alma, é mitigo,
É abrigo suspenso, devoção,
Sem fração! _ Irrestrito digo!

É um ‘instigo’ tão sem precedente,
É mente que tropeça num olhar,
Um roubar de palavras inocente,

Lente de essência; é cerne a falar,
Admirar pelo dentro e pela frente,
Tão quente, coração e carne: amar.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 05/04/2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Outonamos

Outonamos

As tardes nos abordam mais afáveis,
Amigáveis manhãs, um tanto frias,
Regalias em nós, coisas memoráveis,
Infindáveis são nossas poesias.

Há euforias nas noites, brilho em nós,
E pós se vão, tal qual folhas ao vento,
Lamento nenhum; tom baixo da voz,
Sós, notívagos, brasa, sentimento.

Momento singular cabe na gente,
Na mente e mundo nada desvirtua,
Crua língua, dizer inconsequente.

Em vertente estação abre flor nua,
Flutua seu querer, minha escorrência,
Em ardência outonamos pela rua...


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Era outra vez...


Era outra vez...

Tinha uma formiguinha na parede,
Sua rede estendeu; olhando a pia,
Ria às vezes, tinha fome e sede,
Vede, andava distante, mas sem guia.

Fugia muitas vezes, queria estar só,
Cipó na cortina fazia aventura,
 Rapadura roía; deixa em pó,
Nó no saco de açúcar, que doçura!

Loucura era viver naquele espaço,
Pedaço pequeno caiu lhe a ficha,
Em rixa antiga, sem nenhum abraço.

Descompasso diário, vida micha,
A bicha olhuda atenta no seu passo,
 Baço à vista, a branca lagartixa.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 

domingo, 2 de abril de 2017

Viaje para mim


Viaje para mim

E transponha as distâncias, os receios,
Os anseios à frente, dome estrada,
Dê a largada, tire os pés dos freios,
Devaneios, urgente à chegada.

Na calada da noite então embarque,
Abarque na vontade junta a minha,
Desalinha sua alma no meu parque,
Desembarque-se na minha entrelinha.

Aninha em mim igual uma criança,
E dança no meu ser, em meu chuvisco,
Arrisco, invento-me na sua andança.

Trança seus eus aos meus em um rabisco,
Hibisco de beleza em mim avança,
Lança-me, apeie e seja-me belisco.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Entrelinhávamos

Entrelinhávamos

Entreabristes minhas entrelinhas,
Aninhas ali, por agora moras,
Ignoras o orbe lá fora, caminhas,
Nas vinhas de mim e não te apavoras.

Demoras no meu dentro; fez-te casas,
Com asas voeja meu íntimo; o toma,
Soma-me em arco-íris, em cor vazas,
Atrasas o tempo, em versos me doma.

Coma; masques desejos, lambas tez,
Outra vez e mais quanta der vontade,
Metade vezes dois da nudez,

Talvez me vasculhes por liberdade,
Intimidade eu te dei: uma, duas, três,
 Insensatez; tu e eu, vísceras, verdade.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 29/03/2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Das tempestades de nós

Das tempestades de nós

Ardência em vento que esvoaça folhas,
Escolhas nulas; gruta de impotência,
Escorrência na tez e almas pimpolhas,
Bolhas colidem em fixa demência.

Influência sã, força irrestrita,
É negrita a faísca em letra avulsa,
Pulsa num raio à menor escrita,
Cita cúmulo-nimbo que convulsa.

Expulsa o pó, pretérito se parte,
Arte presente de nós um dilúvio,
Anuvio volição, voar em marte.

Aparte o mundo, no dentro Vesúvio,
Plúvio e trovões, Zeus em mim encarte,
Em comparte: nós em nosso eflúvio.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

sexta-feira, 24 de março de 2017

Esvazia desejo; alma vazia

Esvazia desejo; alma vazia

E do corpo germina um sobressalto,
No alto a flor da pele num arrepio,
Um frio, um quente; às vezes eu me falto,
Pauto, o meu desgoverno é vadio.

Um sadio sentir de um querer insano,
Pano que se desveste, cai cortina,
Libertina alma, poros oceano,
Profano abalo, num rir de retina.

Rotina adeus, na tez a latência,
Essência; golfa aroma e é notável,
É amável e estúpida a carência.

A demência sem nexo, ora palpável,
Consolável a carne varre ardência,
Prepotência, a alma não é masturbável.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

"Posso ir "

“Posso ir”

A minha alma tem gotas e tem mares,
Pomares, flores, pássaros e frutos,
Brutos, suaves, leveza de pensares,
Tem ares pueris, sábios, matutos.

Cultos e confissões, orar diário,
Armário, porta aberta, guloseima,
E teima em dizer sim ao imaginário,
No calendário um ontem que inda queima.

Freima o vento, quintais, caus e barulho,
Embrulho saudade em carrosséis,
Papéis, girassol, peixes e mergulho.

Pedregulho no chão, luz e bordéis,
Anéis látex, relíquias de orgulho,
Vasculho estrelas quando sou hotéis.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 24/03/2017

sábado, 18 de março de 2017

Meu diário

Meu diário

Hoje o dia despertou emburrado,
Nublado, o sol não quis sair da cama,
E fez drama; o bonito foi ofuscado,
Camuflado, nem tirou o seu pijama.

A lama jazer, pois o calor dorme,
Meu uniforme não secou no varal,
O meu jornal se molhou; sem informe,
E conforme estação não é normal.

Portal encharcou, tem uma neblina,
Na esquina um café, mas está vazio,
Frio corre solto a ferir a retina.

Menina nem respira em arrepio,
No fio, pio e pardal sem adrenalina,
Matina glacial, mas o sol nem viu!


Raquel Ordones #ordonismo

Uberlândia MG 

Sabor de saudade

Sabor de saudade

Era manhã, me cozi em saudade,
Claridade do dia se fez fervura,
À altura içou fumaça em liberdade,
Afinidade sua, e sem brandura.

Fritura, o pensamento no seu cheiro,
Tempero de um passado, mas presente,
Quente em sabor, açúcar e saleiro,
Talheiro prata, anseio reluzente.

Ardente em carne, na alma um alecrim,
Talharim de delícia, cena ardida,
Na medida e no ponto, gosto assim.

Estopim de nós, fervor, eu servida,
Sorvida por essa lembrança, enfim,
Em mim ceia de nostalgia bandida.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 



O homem de frente para si

O homem de frente para si

Então, é que nos seus olhos, não olha,
Desfolha uma inverdade do seu cerne,
Não discerne seus eus, nem os restolha,
Molha e borra, na sua carne berne.

Em aderne, feito uma folha ao vento,
Fingimento na essência, franco rosto,
Desgosto não tem, há consentimento,
Sem lamento, valida esse composto.

Exposto, a sua máscara, logo usa,
Abusa do seu embuste que convence,
E pertence a duas caras; que compense.

Tem suspense no existir, fraude inclusa,
Confusa sua vida, enganação,
Então, em toda regra uma exceção.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Canção inabalável

Canção inabalável

Melodia em notas fortes; é o amor,
Um calor de voz que venta na nuca,
É muvuca na carne, acesa flor,
Rumor; perturba de fundir a cuca.

Maluca lufa nalma desarranja,
Esbanja ritmo, um passo noutro passo,
Abraço, beijo em beijo, tudo arranja,
Manja de efeitos: santo ora devasso.

O terraço da tez é invadido,
Bandido acorde faz a roçadura,
Brandura do cochicho, aura em altura.

Partitura paixão, de amor perdido.
Sustenido imo, dantes e presente,
E sente gritos num baile silente.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Calembur

Calembur

Eu rio, mas se sou rio, longe do mar,
Amar; vela que acende, ascende a vela,
Ela uma coragem, sou ela a navegar,
Morar no nada e nada em aquarela.

Gela se casa e não está em casa,
Em asa leve, que o seu sonho leve,
Breve a serra que cerra visão rasa,
Vaza a pena. Que pena, mas se atreve!

Escreve um conto; conto; um, dois e três,
A tez eriça, iça no canto um canto.
E levanto; acento no assento? Espanto!

Tanto cinto, que sinto, não; talvez,
Xadrez a calça; e calça bota torta,
Na torta bota vil “sarin”, viu a morta.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

Sublimação

Sublimação

A poesia vai além-composição,
Estação de quem chega e de quem parte,
Arte da essência, luz, coloração,
Comoção que na viagem é encarte.

Aparte o status se o poeta ostenta,
 E se inventa ser, foge ao natural,
Plural não vive; só alma sedenta,
Sustenta o encanto de jeito cabal.

Varal onde um alento se balança,
Trança pureza na singular teia,
Enleia-se; caneta, par da veia.

E semeia fascínio, afora lança,
Dança imaginação, afixo onírico,
Empírico do ser, ora em eu lírico.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Adeus

Adeus

Arroteia umas flores, toca pontas,
Pesponta algumas poucas amizades,
A religiosidade sai das contas,
Tontas falas; requenta falsidades.

Lealdade não planta; colhe engano,
É insano seu jeito; ar egoísta,
Intimista, cobiça em oceano,
Profano coração, por aí é vista.

É moralista; acende seu cigarro,
O pigarro perturba o seu batom,
O tom do seu olho foge; em moletom.

Do edredom avista as flores no jarro,
Num esbarro de cílio, vai afinal,
Terminal, amanhã o funeral.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 

Naveg(a)ndo

Naveg(a)ndo

Viajo para dentro dos meus eus,
Deus na porta de entradas e nos fundos,
Mundos diversos, tantos, todos meus,
Ateus, crentes, rasuras e profundos.

Corcundo pensamento, outros esguios,
Há fio desencapado, alta tensão,
A razão não confia nos arrepios,
Vadios desejos, santo coração.

A emoção ri e escorrega em tobogã,
Sou fã do movimento; tem leveza,
Tem fineza, verdade, até tristeza.

Acesa alma; casaco e luva em lã,
Clã de loucos, calmaria que pira,
Tem ira, tem segredo, até mentira.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

Hediondo

Hediondo

Seu coração ao amor já não responde,
Bonde toca; adustível ambição,
Repulsão; se confere tal qual conde,
Onde o poder é cálice, a emoção.

Reação de revolta; assim provoca,
Invoca um Deus, que alastra fedorento,
O seu comportamento se equivoca.
E se aloca num orbe assim; nojento.

Auto envenenamento; alta dosagem,
Mensagem não entende, rasga a bula,
Anula a vida, em poço gesticula.

Perambula cadáver, sem blindagem,
Sem triagem e sem posologia,
Esfria então, coagula a poesia.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

íntimos

Íntimos

Veste-se em tecido suave e leve,
Atreve na volúpia pueril,
De perfil uma escultura transcreve,
A neve ferve de jeito febril.

Abriu seus lábios e fechou num beijo,
Molejo em quadril no corpo repete,
E promete a flor em doce versejo,
Arpejo em gemidos sobre o carpete.

Reflete na alma, frêmito da tez,
 Imediatez na coxa que roça,
E coça as vísceras a escutar bossa.

Apossa-se do outro mais uma vez,
Talvez p’ra sempre naquele momento,
Atento; comprime o seio no intento.


Raquel Ordonesღ #ordonismo